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Coluna de Hoje: UMA CAMPANHA DE DESCONSTRUÇÃO! Por Rev. Cloves Azevedo

A campanha política suscita um novo vocabulário nos debates e publicações na mídia nacional. O povão não sabe o que significa “tripé da política macroeconômica”, “câmbio flutuante”, “energia limpa”, “banco central”, “superávit” “conselhos populares”, “biomassa” “LGBT” e tantos outros termos dos debates onde os candidatos tentam conquistar o nosso voto usando de uma linguagem sofismática peculiar aos protagonistas da política nacional que sabem que a grande massa (que foi treinada para não pensar) entende e se interessa mesmo é por “bolsas…”. Dentre as palavras em destaque no vocabulário dos embates e combates da campanha política este ano, destaca-se com grande ênfase a palavra DESCONSTRUIR. Os candidatos e candidatas aos altos cargos dos poderes executivo e legislativo dos Estados e Nação resolveram levantar a “grande bandeira” dos seus projetos de governo – DESCONSTRUIR. A maioria absoluta destes pretendentes aos cargos públicos, de forma sem vergonha (e digo “sem vergonha” não por falta de vocabulário), usa o precioso tempo da TV, do rádio e principalmente da internet para espalhar mentiras, boatos, factóides, calúnias e toda sorte de difamação a fim de causar um impacto sensacionalista na opinião pública. Isto acontece em todos os partidos políticos, cujo marketing das campanhas é enfraquecer os adversários. 

Um pressuposto destes aventureiros da política apodrecida em que tentam vangloriar-se é o seguinte: Se não posso vencer tão somente com a verdade dos fatos e com a coerência entre o caráter e o comportamento público, se não posso convencer os eleitores com o bom argumento, com a ética e o respeito ao próximo, então, terei que vencer com a mentira, a fim de desconstruir e deformar publicamente a imagem do adversário político. Afinal, para estas “raposas” do poder “os fins justificam os meios”, sem se importar que para atingir os fins os meios sejam inescrupulosos. A questão ai não é a velha ou a nova política. A questão é que as raposas são velhas e querem circular sempre em redor do galinheiro para engordarem-se das benesses do poder. Urge mudar os políticos!
Porém, o desinteressante mesmo é que a tal bandeira marqueteira da desconstrução para os que pretendem, desconstruindo o outro, vender a imagem de ser estes os construtores de uma nação pautada na ética, na verdade e na justiça não passa de uma hipocrisia. São estes os verdadeiros atores e atrizes da política para quem se encaixa muito bem as palavras de indignação do Senhor Jesus aos escribas e fariseus (embora o contexto em que Jesus pronuncia sua indignação é um confronto ao legalismo religioso judaico): “Ai de vós escribas e fariseus, hipócritas… dizem e não fazem… (Mateus 23).
Feito estas considerações preliminares, quero fazer algumas ponderações a respeito dos partidários desta política da desconstrução. Primeira, pode-se no afã de conquistar o poder desconstruir, deformar, confundir e até destruir a imagem de um candidato, mas ninguém destrói ou desconstrói o caráter bem firmado na verdade, na honestidade e no senso de justiça. Quem tem caráter perde a eleição mas não perde a dignidade. Abre mão das vantagens, das propinas, das negociatas espúrias tão comuns nos bastidores da política, mas não negocia o seu caráter, a sua honestidade.
Em segundo lugar, os que querem trabalhar na política com a filosofia da desconstrução da imagem do outro, via de regra é porque não tem uma autoimagem que lhe dignifica. Quem tem autoestima, quem valoriza e confia no que é e no que faz, não tem inveja nem medo da imagem do outro. Descontruir a imagem do concorrente político é uma tentativa de diminuir o outro à sua baixa estatura ética e moral.
Em terceiro lugar, em matéria de desconstrução, na atual política nacional existem alguns políticos e partidos que são catedráticos. O maior exemplo de desconstrução num governo chama-se corrupção. Nós assistimos há anos a cumplicidade dos governos que passaram e do que ai está com a corrupção. Como se não bastasse o mensalão, estamos assistindo atualmente a desconstrução da Petrobrás vilipendiada, leiloada entre as sanguessugas do legislativo e do executivo federal, alimentando os planos maquiavélicos de partidos políticos à custa do sangue dos brasileiros. Um governo que não é exemplo de austeridade e honestidade torna-se um estímulo, um incentivo à desonestidade. Além da corrupção dos bens públicos e do dinheiro que deveria ser bem aplicado nas demandas básicas da nação como saúde, educação, segurança e infraestrutura dentre outras, assistimos no congresso nacional a aprovação de verdadeiras leis de desconstrução da boa ética, da moral e dos valores tradicionais da família que é a base da sociedade. Nesta campanha de desconstrução, talvez por desconstruir os valores da boa ética, o próprio governo desconstruiu a si mesmo e a esperança do povo brasileiro. Tanto é assim que o governo atual esconde um símbolo partidário construído com o suor de uma militância política que acreditou no brilho da estrela e hoje assiste com pesar a sua decadência.
Quero terminar lembrando as sábias palavras de um dos filósofos chinês de maior influência no mundo – perguntaram a Confúcio o que ele faria se tivesse que governar um país. Respondeu: “Seria evidentemente corrigir a linguagem”. Surpresos com a resposta, seus interlocutores indagaram-lhe o porquê. Então ele deu a seguinte resposta: “Se a linguagem não for correta, o que se diz não é o que se pretende dizer; se o que se diz não é o que se pretende dizer, o que deve ser feito deixe de ser feito; se o que deve ser feito deixa de ser feito, a moral e as artes decaem; se a moral e as artes decaem, a Justiça desbarata-se; se a Justiça desbarata, as pessoas ficam entregues ao desamparo e à confusão. Não pode, portanto, haver arbitrariedade no que se diz. É isso que importa, acima de tudo” (fonte – Google).
O Brasil não precisa mais de campanha de desconstrução. Basta a paisagem de desolação e tristeza a cercar-nos! Por si só a palavra desconstrução é deprimente e inadequada como linguagem de quem quer conquistar o coração de um povo faminto de esperança. O Brasil clama por um projeto de reconstrução e reforma que o capacite a cumprir a sua vocação de gigante no mundo e servir de inspiração e não de vergonha para as futuras gerações. Sigam o conselho de Confúcio senhores candidatos. Corrijam a linguagem! Corrijam a si mesmos. Sejam inspiração para o povo!

 

Por Rev. Cloves Azevedo 

Sobre Lucas Souza Publicidade

Lucas Souza Publicidade
Jornalista e Blogueiro.

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