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CRISTIANISMO E FORMAÇÃO HUMANA: POSSIBILIDADES DE EMANCIPAÇÃO SOCIAL ATRAVÉS DO EVANGELHO DE JESUS.

Nos últimos dias assistimos uma crise religiosa que assola o mundo: em nome de uma divindade é possível até cometer o assassinato. Contudo, a proposta da religião não seria exatamente o contrário? O religare tem como proposta a aproximação do ser humano no seu (re)encontro com a dimensão do Sagrado a qual ele está desconectado desde à Queda (Gênesis 3:24). Cada vez que o homem se distancia de Deus ele esse aproxima de sua animalidade predatória. Como diria Tomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, “o homem é o lobo do homem”. Nada há de essência boa no homem, mas apenas o egocentrismo que busca o seu próprio prazer a qualquer preço: até mesmo na destruição de seu próprio semelhante.

Diante deste quadro social e existencial caótico do ser humano, a despeito das crenças do ateísmo, o Cristianismo bíblico se põe como uma filosofia de vida pautada na formação para a humanização. Em Cristo, Deus se fez Homem como os homens para nos ensinar a sermos Homem (João 1:14). Para Deus não há acepção de pessoas, todos somos iguais na diferença. Paulo diz: “Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26-28, NVI). A vivência no âmbito do Cristianismo proporciona às pessoas a experiência de trocar a solidão pela vida comunitária, a vida errada, pelas práticas de justiça, a desonestidade, pelo trabalho justo, a mentira, pela verdade, a morte pela a vida eterna (Efésios 4:19-32).

Quando o homem é encontrado pela graça de Cristo ele aprende uma nova maneira de viver. Suas lentes são trocadas para que enxergue o mundo na perspectiva da graça de Deus. A imagem de Deus (Gênesis 9:6) é reeditada na vida daquele que se arrepende de seus pecados pois esse novo homem é “[…] criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.” (Efésios 4:24, NVI). Não há possibilidade de se encontrar com o amor de Deus e permanecer o mesmo. Em Cristo, é possível experimentar a emancipação social que nasce de dentro para fora. O interior regenerado se manifesta em ações externas de inclusão e de vida social equilibrada. Jesus é poderoso para transformar alguém que está na rua da amargura e abandonado por todos como um mendicante, em um cidadão de bem e que contribui para o desenvolvimento da sociedade. Diante disso, indagamos neste artigo: que possibilidades o evangelho de Cristo traz para a formação humana no horizonte da emancipação social?

Em primeiro lugar, evangelho de Jesus nos deixa a possibilidade da preservação dos valores humanos que estão sendo perdidos na sociedade capitalista do consumo. A vida humana tem sido pautada nas conquistas pessoais e profissionais em nome do lucro de alguns que se constrói a partir da miséria de muitos. Em contrapartida, Jesus nos convida a assumirmos um papel diante da sociedade: “‘Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens’. ‘Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus’” (Mateus 5:13-16). Preservar a conduta moral em nossa sociedade é uma possibilidade proposta por Jesus como alternativa à vida desregrada e centrada no prazer egocêntrico alienado da ética universal do ser humano, como diria Paulo Freire (1921-1997).

Em segundo lugar, evangelho de Jesus nos deixa a possibilidade de vencer a violência através da pacificação e da não-retaliação. É comum perceber que em nossas relações humanas está muito presente a lex talionis: “olho por olho, dente por dente, pé por pé”. Nós somos pessoas que “não levam desaforo para casa”. Entretanto, reflitamos: seria possível vencer a violência com a própria violência? Entendemos que não. Para tanto, Cristo nos alerta: “‘Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte (Mateus 5:39-42, NVI). A questão aqui não é que o Cristianismo não se posiciona ou que o cristão é fraco, mas que ele não paga o mal com o mal. A força de nossa humanidade não está no uso do poder bélico mas nosso empoderamento do diálogo horizontal de diferentes na igualdade, baseados no amor, na humildade e na paciência que são libertadores! O amor é mais poderoso do que as armas! “O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo.” (Mahatma Gandhi, 1869-1948). Em resumo, o sábio já dizia: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você” (Provérbios 25:21-22, NVI).

Em último lugar, o evangelho de Jesus nos deixa a possibilidade de buscarmos a justiça para que vivamos o equilíbrio social. Cristo afirmou: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (Mateus 5:6). É preciso termos “fome” e “sede” de justiça, em outras palavras, as práticas de justiça devem nossa busca vital! Em um país desonesto que tem riscado a justiça de sua agenda, a começar por aqueles que legislam a nossa conduta social, Jesus nos convida a sermos justos em toda e qualquer situação. Entrementes, compreendemos que somos pecadores declarados justos pela graça de Jesus (Romanos 5:1) e, por isso, somos convidados a pautamos nossa formação ética e cidadã na busca incessante pela justiça social: “Busquem o bem, não o mal, para que tenham vida. Então o SENHOR, o Deus dos Exércitos, estará com vocês, conforme vocês afirmam. Odeiem o mal, amem o bem; estabeleçam a justiça nos tribunais. Talvez o SENHOR, o Deus dos Exércitos, tenha misericórdia do remanescente de José” (Amós 5:14-15, NVI).

Em suma, o Cristianismo propõe para o mundo uma formação humana voltada para a emancipação social e não para a escravidão da mente, das emoções e do corpo. O Senhor Jesus nos desafia a preservarmos os valores humanos que podem ainda dar um colorido a esse mundo “cinzento” pela ausência do amor. Só é possível vencer a violência com as armas da paz pois a violência gera mais violência. Por fim, seja na vida pessoal, familiar ou profissional, a justiça deve ser o nosso lema! Assim, a justiça fluirá como um rio em nosso país e o Nome do Senhor será glorificado!

Cotidiano da Fé

Sobre Lucas Souza Publicidade

Lucas Souza Publicidade
Jornalista e Blogueiro.

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