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São extremamente constrangedoras as situações provocadas pela covardia, pela conivência ou pela conveniência. Vejamos:
Nos tempos da Ditadura oficialmente em vigor, entre 1964 e 1985, as manifestações contra a censura e a afronta às liberdades políticas, nas artes e, principalmente, às individuais, a gritaria era geral: estudantes
nas ruas, artistas fazendo passeatas, políticos de oposição oferecendo-se como mártires... Era um Deus-nos-acuda total!
Recentemente vimos o mundo se manifestar contra o fechamento pelo governo, na Venezuela, de estações de rádio e TV tidas como antipáticas ao regime ditatorial-populista de Hugo Chávez. Até mesmo políticos do PT, partido do presidente Lula – que é amigo e defensor do colega venezuelano – vozes se ergueram contra o autoritarismo e a censura.
Aqui no Brasil, cúmulo dos cúmulos, ainda vigora uma censura prévia contra o jornal O Estado de S. Paulo, um dos maiores do país. A gritaria – contra – é geral.
Bem, e aqui na região de Irecê?
No dia 18 de maio último a Divisão de Jornalismo da 101 News FM sofreu a mais covarde e brutal intervenção de que se tem notícia nos últimos 20 anos. E foi um golpe incestuoso, praticado pelos “pais” da rádio, os verdadeiros donos. Tentaram calar a minha boca, atendendo ao pedido de algum ladrão qualquer. Não foi uma interferência administrativa, onde se discutem procedimentos ou linhas editoriais ou musicais. Foi uma “cala a boca!” para o Jornalismo da emissora – exatamente o mais aberto e polêmico da região. E até agora quem se manifestou (além daqueles que já o fizeram imediatamente)? Qual igreja? Qual entidade de classe? Qual sindicato (nem o dos Radialistas!!!)? Onde está a OAB, antes tão combativa e sempre viva no seio social?
Anoto, com orgulho, a altiva atitude de vários sites, jornais e emissoras da região que publicaram notícias e se posicionaram a respeito da truculência aqui praticada (ressalto, por exemplo, o lúcido Editorial do Folha da Bahia, de Irecê).
Não peço que se manifestem a meu favor. Façam o que fizerem de barulho, o meu emprego não será recuperado. Fui alvejado por bandidos da política acostumados a pisar na cabeça de gente.
Mas imploro que não deixem a liberdade de imprensa – a sua própria liberdade! – ser assim esmagada, na cara de todos e todos agindo como se nada estivesse acontecendo.
Compreendo os covardes, vítimas da sua falta de coragem.
Entendo os coniventes, “sindicalistas” entre eles, pois mamam nas sagradas tetas dos poderosos – e como os poderosos mudam de lugar (partido) a toda hora, eles têm medo de firmarem posição contra aqueles que amanhã poderão ser os donos de suas coleiras.
Mas não perdôo os que agem por conveniência. Esse é o pior silêncio, porque parte daqueles que se rejubilam com a exposição das vísceras alheias, mas que diante da sociedade agem como freiras assombradas com a violência do estupro.
Os ‘convenientes’ reúnem, sozinhos, mais defeitos do que os covardes e os coniventes. Têm a alma ainda mais suja. É lamentável que eu tenha como “amigos”, “companheiros” e/ou como “colegas” alguns muitos dessa espécie.
À moda dos avestruzes, ao primeiro sinal de turbulência enfiam a cabeça no mar de hipocrisia em que vivem, fingindo que nada vêem. Não se importam se, ao saírem de lá, estarão com suas caras enlameadas.
A deusa da hipocrisia haverá de lhes consumir o sono e a alma.
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Adicionado por Lucas Souza Publicidade em 5 maio 2012
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