“Só uma coisa me entristece, o beijo de amor que não roubei a jura secreta que não fiz, a briga de amor que eu não causei...”
Sinto saudade do romantismo nas letras de músicas que faziam sucesso, sinto saudade dos toques de violão que para dizer quem sabia realmente tocar, era preciso fazer o violão quase falar... A voz era importante, o jeito de se expor era importante, tudo era charme, a música tocava o coração de quem naquele momento passava por certos estágios na vida.
Indo mais além, encontrei num artigo de Stephen Kanitz, um grande texto sobre a dança o qual me chamou muito a atenção, ao começar a ler, me deixou também entristecido, não que seja penoso, mas, por deixar de ter a oportunidade de aprender a dançar.
Ele relata sobre a Dança de Salão, onde o homem tem uma série de obrigações, além de cuidar da mulher, planejar o rumo e variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Mais a frente ele fala que o homem leva três vezes mais tempo para aprender a dançar do que as mulheres, não por ser o homem menos capacitado, mas, pela sobrecarga, e a mulher ter que acompanha-lo, sendo assim ela teria mais tempo para conhecer melhor o homem, a sua capacidade de conduzi-la, a delicadeza, a inteligência, e a reação num momento em que der errado, como uma pisada no pé, (pedindo desculpas ou culpando os outros). Em resumo a mulher fazia verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido. Kanitz relata ainda que a pessoa boa de dança, sempre fora um grande companheiro, harmonioso, carinhoso, inteligente, compreensivo e ótimo administrador.
Realmente, concordo quando ele diz que masculinizaram a mulher, perdeu aquele brilho feminino, a delicadeza, a sensibilidade e o respeito. Hoje, vemos as mulheres dançando sem critério algum, serem chamadas de cachorras, empurradas nos arrastões da vida, jogadas atrás dos trios, hoje parecem mais comboios.
Um mundo promíscuo, ficar sem compromisso, sem razão, sem emoção, ficar por ficar, essa é a moda, e a moda vem da onda, quem vem do mar, o mar que não tem fim, nem respeito com quem entra na onda por curtição, de tanto se expor um dia se queima...
“Ainda há tempo amor, mal começastes a debutar a vida...”
Seres humanos, não são simplesmente seres, são pessoas com sentimentos que precisamos ver com os outros olhos, os jovens são adolescentes, pré-adolescentes, moças, rapazes, estão para revolucionar, vamos de encontro com a televisão que dita a moda da grana, razão pela qual nos impõem a qualquer sorte, para buscar a razão do coração que deverá falar, a música tem que ter qualidade, o artista tem que passar uma boa mensagem, música para bailar e não pular, machucar, nesta joça que arrebenta os tímpanos e nada se guarda, salve a fadiga. Quem não souber escolher o que quer ouvir e curtir, vai dançar mesmo, e enquanto você dança nesta lama que se lança, outros sem intelecto nenhum enchem as panças.
Qualidade já! Não deixem que dizem por você o que é melhor, seu ouvido não é pinico. A sua vontade não pode ser subestimada.
Não esqueçam que tudo é política, escolhem os melhores... boa sorte!
Mauro Dourado

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