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Segundo informou a direção do jornal Folha da Bahia (Irecê), este será o Editorial da próxima edição do informativo. Confira no http://www.folhadabahia.com.br/noticias/lerNoticia.php?id=3288
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A intervenção sofrida pela equipe de jornalismo da rádio 101 News FM, de Pres. Dutra e Irecê, é uma ação a ser repudiada e acompanhada muito de perto pela população. O fato não é normal e representa um precedente perigoso para as garantias que a Democracia nos oferece – e a liberdade de imprensa é o valor mais importante, ao lado das garantias individuais. A forma despudorada, e até com ares de satisfação e escárnio da parte daqueles que a praticaram, faz com que a ação requeira atenção especial.
Felix Mendonça Junior, conhecido como “Felinho”, será candidato a deputado federal no lugar do pai. São eles os donos da rádio violentada. E foi o próprio Felinho quem praticou, com antecipado alarde, a violência. Ou seja: é uma violência familiar, incestuosa. É o chefe da família a impor o castigo aos filhos. Não há defesa possível.
Pior é que a sociedade regional se limitou a “lamentar” o fato. Em outras palavras: todos acham normal o que houve; não entendem que fomos, todos nós, vítimas de violência e de censura inaceitáveis. Ao tentarem calar a voz do radialista mais polêmico da região, estão dizendo que é a região que tem de calar-se. Afinal, os meios de Comunicação não existem para dar voz ao povo? O seu caráter não é público?
A suposta reação de alguns políticos locais também foi mais do que tímida. Não será errado julgar que estão, quase todos, na verdade comemorando o vergonhoso episódio. A exceção ficou por conta do prefeito de São Gabriel, o popular Zé Carlos da Cebola. Veio dele, ao vivo e no ar, na própria 101 News, a maior reação à barbaridade cometida contra Maciel. “Não se pode aceitar que coisas desse tipo aconteçam”, disse o prefeito. Foi aplaudido pelas pessoas de bem. O prefeito de Central, Leonandes Santana, também manifestou solidariedade ao comunicador, colocando-se à disposição. Já o prefeito de Irecê, Zé das Virgens, apressou-se em dizer que nada tinha a ver com a perseguição – e só. Outro nome suspeito de ter feito coro aos que pediram pela decapitação do radialista é o do ex-prefeito Joacy Dourado
– que não se manifestou, mesmo sendo pré-candidato a deputado pelo PT. Será que ele também é dos que entendem que vozes polêmicas devem mesmo ser silenciadas?
O fato é que poucos políticos e lideranças se manifestaram publicamente. Maciel diz que muitos ligaram ou foram até ele. Felinho, com a tranqüilidade de quem sempre escapou imune às truculências e maracutaias políticas, afirmou que Maciel seria o novo “João Batista de Irecê” – o que remete ao profeta bíblico que teve sua cabeça decepada a pedido do Rei Herodes Antipas I. Estaria Felinho dizendo que gente “maior” na política teria exigido a cabeça de Eraldo Maciel? Seria o governador Jaques Wagner?
A região de Irecê, através de suas lideranças, das entidades de classe, da sociedade organizada enfim, não pode deixar passar em brancas nuvens esse ato de perseguição. O radialista Eraldo Maciel pode ser polêmico, exigente, até mesmo antipático em suas opiniões e cobranças – mas não pode ser acusado de omissão ou de faltar com a verdade, muito menos de ser venal e colocar seus programas a serviço de políticos ou grupos devedores para com esta região. Ao contrário: sempre foi a voz mais firme e insistente a cobrar melhorias, mesmo quando todos os políticos já haviam silenciado seus discursos. Todos os governos, a partir de 1991, ano em que chegou à Bahia, foram cobrados, igualmente, em suas falas. De ACM a Wagner – portanto também não pode ser acusado de parcial.
Posicionar-se firmemente contra a violência sofrida por Maciel não é apenas um ato de defesa dele em particular. É, antes de tudo, o grito da sociedade como um todo em defesa dos seus próprios direitos. Não podemos nos calar (já não basta a situação caótica registrada em praticamente todos os setores públicos na região?). Quem erguerá a sua voz exigindo melhores estradas, solução para o problema do abastecimento de água, mais viaturas, melhorias na Educação e na Saúde, humanização no Trânsito? Os políticos é que não farão isso – eles sabem que poderão morder a língua logo cedo, a depender da direção em que o vento eleitoral soprar. Que o digam Felix Mendonça e seus seguidores, fiéis discípulos da máxima “Rei morto, Rei posto”. ACM é testemunha, do além-túmulo.
Se nos acovardar agora, qual de nós será o próximo a ser silenciado?
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Adicionado por Lucas Souza Publicidade em 5 maio 2012
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